sábado, 8 de junho de 2013

Fatos da minha rua

Deixe - me descrever alguns elementos da cena: rua morta, grandão indiferente, dois marginais curtindo a noite e o início da madrugada. Pois bem, o ambiente parecia propício para quem desejasse ser assaltado.
Um cara grande vem andando a passos lentos, como se tivesse nada em casa, mas muito no bar. Dois caras arruaceiros miram a figura aparentemente truculenta e resolvem fazer a noite valer a pena. Ora, isso não é problema, Davi não derrotou Golias com uma pedra? Então...
- Ele deve ter dinheiro.
Foi o que um dos arruaceiros disse.
- Mas o cara é grande!
Advertiu o outro.
- E daí? A gente chega esmurrando e deita o cabaço.
Assim planejou aquele um.
- Demorou!
...
- É ESSE AQUI?
- ESSE MESMO!
- HEI! FILHO DA PUTA!
- O que foi?
- VAI, DÁ O QUE VOCÊ TEM AI!
- Se for dinheiro, não tenho!
- QUE FOI, VAI BANCAR O FODA...
Empurrão. Cara grande sendo jogado pra frente. Queda? Não! Os pés pareciam raízes.
Outro empurrão. Os dois cercaram e intimidaram o cara. A briga será feia. Dois contra um, é a típica luta que as câmeras de segurança filmam e passam nos telejornais do horário nobre.
Empurrão. Desta vez foi o grandão que empurrou e saiu correndo. Virou a esquina, para a esquerda. O cara percorre toda a frente do terreno abandonado. Um dos marginais é mais rápido e alcança o grandão, que se agacha e pega uma coisa que parece pedra e vira em cheio na face do bandidinho... PLOW! Bem no nariz. O garoto grita como uma menina e cai no chão.
Cheiro de bosta. Será que alguém se cagou ou a fábrica de açúcar local está trabalhando?
- Cara, calma. A gente não te denuncia... Sério...
Aquilo são lágrimas?
- Era só um pedaço de terra, macho alfa.
O cara grande limpa a mão no tecido da calça e continua seu percurso, solitário, como se tivesse nada em casa, muito no bar e um sorriso espontâneo na face.



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